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28 de setembro de 2016

Se eu te contasse você não iria acreditar




Mas fui eu que rasguei aquele seu vestido preferido, e também coloquei xixi do cachorro na garrafa d’água na geladeira, também varri todo o lixo da casa para debaixo do sofá. Eu adorava jogar bolinha de jornal molhado na parede do teto do banheiro. Quantas e quantas vezes esvaziei o pneu do seu carro para você chegar atrasada no trabalho. Colocava chiclete dentro dos seus sapatos e misturava o teu shampoo com condicionador. Deixava de proposito o leite ferver e sujar todo o fogão. Esquentava a panela com óleo quente e jogava água de longe para sujar toda a cozinha.

Não me esqueço do dia que coloquei “Kisuco” dentro de sua predileta garrafa de vinho e também do dia que soltei o cabo da televisão para você não conseguir ver novela. Lembra-se do seu gatinho “Puma”? Eu odiava aquele gato maldito, eu falei que ele havia fugido, mas na verdade levei-o para bem longe e soltei na beira da estrada. Seu computador ficou lento de tanto vírus que coloquei, fui eu mesmo que pinchei o muro da tua casa e coloquei a culpa no “Dudu Chulé”. Lembro-me de você ficava puta e não sabia de onde vinham aquelas borrachinhas pretas espalhada por toda a casa – era eu que chegava do futebol de grama sintética e tirava a chuteira dentro da cozinha.

Eu colocava açúcar nos cantos da casa só para encher de formigas e também deixava o ralo do quintal aberto para as baratas subirem para a casa. Eu pegava sua escova de cabelo e penteava os cachorros da rua, já até usei a tua escova de dente para engraxar meus sapatos. Era máximo colocar bombinhas na caixa de correio e sair correndo. O dia mais engraçado foi quando coloquei cola dentro do seu desodorante e graxa no seu hidratante corporal.

Eu riscava as paredes da casa e falava que eram aqueles chatos dos seus sobrinhos, fui eu também que arranhei toda a lateral daquele seu carro novinho. Cortava os travesseiros e enchia o quarto de espuma. Eu apagava as mensagens do seu celular e dizia que o mesmo estava dando “Biziu”. Na hora do almoço me divertia fazendo guerra de comida com as crianças, estourei todas as lâmpadas da casa com bolinha de gude no bodoque.

Quebrei as pernas das cadeiras brincando de balanço, despedacei todos os espelhos da casa para fazer cerol, eu bebia água e deixava as garrafas vazias dentro da geladeira. Enfiava palitos de fósforos dentro das fechaduras - quando não quebrava a chave dentro delas.

Eu era feliz e não sabia!









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Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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